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Resenha: 12 Segundos

Título: 12 Segundos
Autor: Leonardo de Cassio
Páginas: 246
Editora: Arqueiro
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos.
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Onde comprar: Amazon, Kindle Ulimited

Sinopse: Tobias é um jovem normal. Vive uma vida normal, com amigos normais e pais divorciadamente normais. Sua vida não parece um filme, até que Matthew Parker, seu cantor favorito, vem para o Brasil. E aí que tudo se transforma.

Com a ajuda de sua amiga, Tobias consegue acesso ao camarim de Matthew por 12 segundos. É tempo suficiente para ele entrar, dizer “I love you”, tirar uma foto e quem sabe, dar um abraço. Mas Matthew parece querer mais que alguns segundos a sós com o garoto, então o convida para ficar um pouco mais.

Amor, raiva, descobrimentos e a distância dos holofotes colocam os dois jovens numa noite de aventuras e liberdade, mas antes que Matthew precise voltar para sua rotina de fama e glamour, eles vão se entregar e se apaixonar. Juntos.
Já imaginou conhecer seu cantor preferido e ter a oportunidade de conviver algum tempo com ele? a probabilidade é meio nula, né?

Porém, 12 segundos. Foi o tempo que o jovem escritor Tobias Fruehr conseguiu para estar frente a frente com seu cantor favorito.


Essa história é narrada pelo próprio Tobias através das lembranças de sua adolescência e o seu dia a dia no trabalho como voluntário numa casa de repouso, até o momento presente que antecede ao encontro tão sonhado com seu ídolo.

Após descobrir (com a ajuda de sua amiga Cecília) que Matthew Parker, cantor canadense muito famoso virá ao Brasil, Tobias mal sabe o que o destino preparou para ele: um encontro de 12 segundos que se transforma em 12 horas ao lado de Matthew.


O encontro é um dos temas centrais do livro mas não foi o único trabalhado: Relações familiares, sexualidade, identidade, preconceito, abandono, violência doméstica são algumas das questões abordadas de forma breve, que eu gostei de ver presente na obra. No entanto, acredito que o autor abriu muito espaço para esses acontecimentos até a metade do livro e minha expectativa era que o foco fosse maior no contexto principal.
"Eu mal podia acreditar que em poucas horas eu estaria sentado muito próximo do garoto que eu mais admiro no mundo!"
"Eu já havia idealizado estar com Matthew tantas vezes antes e nunca havia imaginado que poderia ser tão doloroso e bonito ao mesmo tempo."
Gostei muito do romance entre Tob e Matthew, os dois são extremamente fofos e tem muita conexão. Foi um encontro intenso e repleto de eventos que não sustentam apenas 12 horas, mas como tudo ali foi improvável, eles fizeram acontecer com o pouco tempo que tinham.

"- Talvez eu escreva um livro.
- Sobre o que?
- Sobre nós.
- Por que?
- Amores bonitos fazem eco."
"É engraçado como momentos especiais parecem durar tão pouco, mas são capazes de permanecer por muito tempo em nossas memórias de forma tão clara e vívida."
O final não me decepcionou, foi exatamente o que eu esperava! Real.

"12 Segundos" é uma leitura bem leve e gostosinha, com uma vibe sessão da tarde recheada de referências da cultura pop e muita música. Tenho certeza que esse romance irá deixar seu coração quentinho.

Resenha: Não Quero Ser Como Você

Título: Não Quero Ser Como Você
Autor: Vinicius Fernandes
Páginas: 224
Editora: Astral Cultural
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Sinopse: LUCAS E GABRIEL SÃO O OPOSTO.

Lucas há tempos se fechou para o amor. Na rotina agitada do psicólogo gato e bem-sucedido, só há espaço para encontros casuais, desde que não durem mais de uma noite. Já Gabriel é o romantismo em pessoa. Mesmo já tendo quebrado a cara algumas vezes, ele sonha em encontrar um grande amor, daquele tipo que faz os olhos revirarem.

É claro que as histórias dos dois vão se encontrar... Mas até que ponto duas pessoas tão diferentes podem ser felizes? Uma hora você percebe que a vida não é um conto de fadas (nem perto disso!), e é preciso amadurecer. Mas, também, chega um momento em que você tem que abrir a porta e deixar alguém entrar. Será que ambos estão dispostos a isso?
Lucas e Gabriel possuem personalidades completamente diferentes.

Gabriel é sentimento. Carrega consigo a essência de alguém que é intenso, que acredita e busca viver uma linda história de amor. Lucas é seu oposto, criou muros ao redor de seu coração e se fechou para as relações amorosas. No entanto, suas histórias irão se colidir para mostrar que eles tem mais em comum do que imaginam.


Eu me identifiquei muito com o Gabs, ele é romântico e sonhador, mesmo que tenha se decepcionado algumas vezes continua buscando por alguém que o proporcione uma relação recíproca e verdadeira. Porém, a vida é repleta de provações e antes e até mesmo depois que isso aconteça ele passa por maus bocados.

O preconceito existe, esse é um dos temas de maior destaque na trama. Gabriel ao se assumir, sofre discriminação dos próprios pais, fico angustiada de ver isso acontecendo, pois me lembra que essa é uma realidade muito além da ficção. Mas ao mesmo tempo, me enche de esperança saber que ele não está sozinho, seus amigos e sua avó o acolheram com muito amor.

Tentar entender a personalidade de Lucas foi bem difícil, ele esconde seu passado e só mostra a jornada de um rapaz vazio, que bloqueia todos os seus sentimentos para evitar decepções, se contenta apenas com encontros casuais e prazer momentâneo. Esse estilo de vida é muito triste, a pessoa perde a chance de ser feliz por medo de sentir. Entretanto, eu amei como o autor trabalhou essa questão, só depois que conhecemos a história de Lucas é que compreendemos porque ele é assim. Eu entendi e me comovi muito.

O livro aborda assuntos muito necessários como o preconceito, homof0bia, abandono parental, luto, o combate LGBTQIA+ contra a intolerância e a importância da saúde mental, de cuidar de si mesmo e não se fechar para o mundo.

Eu amei acompanhar o amadurecimento de Lucas e Gabriel, os dois precisaram em momentos diferentes desse crescimento pessoal para seguir em frente.

E não posso deixar de mencionar as edições com vários exemplares coloridos que a @astral.cultural nos presenteou, é como erguer a bandeira LGBTQIA+ pedindo justiça contra a homof0bia.

Resenha: Meu Gato me Odeia

Título: Meu Gato me Odeia
Autora: Julia Rietjens
Páginas: 276
Editora: Cartola
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos.
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Sinopse: Sâmia ganhou um gato, mesmo querendo um cachorro. Ela não teve muita escolha, afinal, sua mãe leu na Marie Claire que os animais ajudam os jovens a superar a depressão – e sua mãe pode ser bem cabeça dura quando se trata desse tema. Bem, agora ela tem um gato que a odeia, e a recíproca é verdadeira. Contudo, é justamente por causa desse gato que ela descobre uma nova paixão.

Ter uma mãe religiosa, um pai ausente e um gato tirano não era bem o plano de como Sâmia queria curtir os seus 15 anos. Pelo menos, ela tem o Guga, seu melhor amigo, para acompanhá-la durante todas as mudanças da vida. O problema é que nem mesmo ele poderá ajudá-la em relação às descobertas da sexualidade, e aos seus sentimentos nutridos por uma nova amiga.

(In)Felizmente, ela tem um gato (que a odeia) para acompanhá-la nessa jornada de autoconhecimento.
Sâmia é uma garota de 15 anos com depressão. Fã da série Supernatural, quando não está na escola, passa os dias em frente ao computador participando de comunidades no Orkut ou com seu melhor amigo, Guga, porém, sua mãe viu uma matéria em que gatos podem ajudar na doença e acaba presenteando a filha com um, mesmo que ela prefira um cachorro. Com um gato que a odeia – e por causa dele – Sâmia terá a oportunidade de conhecer seu primeiro amor.

O livro é narrado em primeira pessoa pela protagonista, apresentando cenários que uma adolescente comum nessa faixa etária vivencia em algum momento. Questionamentos sobre quem é, sexualidade, religião, situações de bullying na escola, problemas com os pais em casa, angústias, ansiedade, etc. Temas confusos e complicados para uma adolescente, mas que foi trabalhado de forma leve e responsável pela autora através de uma narrativa fofa, nostálgica e recheada de referências da cultura pop.


O mais legal dessa história é acompanhar o amadurecimento da Sâmia, ela é uma personagem repleta de camadas que passa por muitos traumas emocionais por conta de sua família, além disso, o romance sáfico entre ela e a Bruna é um dos pontos mais fofos do livro. Não posso deixar de mencionar sua amizade com Guga, ele é um amigo que está sempre ao seu lado nos momentos mais difíceis e, claro, o gato que ela ganhou e a odeia. Esse gatinho é muito peculiar e vai fazer Sâmia passar por situações bem inusitadas e cômicas.

"Meu Gato Me Odeia" é mais uma obra da @jurietjens carregada de temas pertinentes como a sexualidade, a importância da família como base de apoio, com muita representatividade LGBTQIA+ e uma jornada de autoconhecimento. Eu amei essa história por ela ser uma realidade de muitas pessoas homossexuais ainda hoje e, embora nem sempre todos consigam ter uma família ao lado, te aceitando como você é, ainda assim, essa obra te mostra que é possível seguir em frente e que ninguém está completamente sozinho.

Se você gosta de livros YA, essa história entrega risadas, coração quentinho e a sensação de dever cumprido ao ver a protagonista evoluindo.

Resenha: As Vantagens de Ser Você

Título: As Vantagens de Ser Você
Autora: Ray Tavares
Páginas: 350
Editora: Galera
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos.
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Sinopse: Ana está à beira de um ataque de nervos. Sem rumo profissional e em plena crise profissional, a jovem enxerga o sonho de escritora ir pelo ralo mais rápido do que suas chances de encontrar o amor. É como se a sua vida profissional e afetiva estivessem competindo para ver qual vai dar errado mais rápido. Afinal, stalkear Bárbara, a crush dos tempos de colégio, nas redes sociais não conta como um vida amorosa.

Tempos desesperadores requerem medidas desesperadas. E é isso que leva Ana a comprar Você Só Será F*da Quando Se Sentir F*da, o livro do coach-guia-guru Tony Diniz, que promete revolucionar a sua vida, transformar o seu mindset, e te fazer emanar ondas da felicidade, sejá lá o que isso queira dizer. Eu sei, parece o fundo do poço.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Com o exemplar em mãos, Ana dá de cara com Bárbara, ela mesma, a crush perfeita e bem-sucedida. Em um golpe humilhante do destino, Bárbara revela que está organizando o retiro do coach no Jalapão, e resolve convidá-la para o evento.

Sem mais nada a perder além do resto do seu dinheiro e da sua dignidade, a jovem resolve embarcar em uma viagem na tentativa de se sentir f*da e, quem sabe, conquistar o amor da sua vida. Afinal de contas, o que pode dar errado? Será que as humilhadas finalmente serão exaltadas?
Ana tem 24 anos, mora com os pais, tem um emprego que não a motiva, um sonho estagnado de ser escritora e uma crise existencial lembrando todo dia como ela é fracassada. Sem rumo, compra o livro do coach quântico Tony Diniz: "Você Só Será F*da Quando Se Sentir F*da", e apesar de achar essa ideia ridícula, no fundo, ela acredita que o livro pode ajudar.

Quando Ana descobre que Tony Diniz está realizando um retiro espiritual de emanação de ondas da felicidade no Jalapão, ela não pensa duas vezes em usar suas últimas economias, chamar os dois melhores amigos e investir nessa viagem. Ela só não previa que iria viajar no mesmo carro com sua crush suprema do colégio e seu namorado.


Com a narrativa em primeira pessoa e intercalando capítulos entre a viagem e os capítulos do livro de autoajuda que Ana está lendo, o leitor e a protagonista irão embarcar juntos na descoberta de como ser f*da.
"Minha irmã tem 3 anos a mais que eu e comprou um apartamento. E eu? Bom, eu comprei um livro para me ensinar a ser foda."
E eu juro, você vai gargalhar como eu, eu nunca ri tanto com uma história, os amigos da Ana são PERFEITOS. Os diálogos de Luís e Camila são TUDO. Essa roadtrip entregou muitas aventuras inusitadas. 🤭
"Às vezes eu acho que a felicidade é superestimada — Luís comentou, sempre um pouco pessimista. — Tipo a gente tá sempre buscando a felicidade, mas quando a gente fica um pouquinho feliz já logo nos desesperamos porque em algum momento ela vai embora, então ficamos tristes enquanto estamos felizes porque já estamos pensando no momento em que vamos ficar tristes de novo, e aí a gente não fica feliz nunca, né?"
Mas ao mesmo tempo, é difícil escrever sobre um livro quando gera tamanha identificação, eu sou a própria Ana, vivendo a mesma crise existencial, angustiada, fracassada, ansiosa, me senti até pior que ela, por estar além dos trinta, enquanto ela só tem vinte e quatro. A perspectiva dela atinge em cheio quem vive a mesma realidade, é difícil não se comparar hoje em dia, quando as redes sociais só mostram as conquistas de cada um. (Mesmo sendo só uma ilusão).

"Eu costumava acordar todos os dias com um sorriso no rosto e ir dormir todas as noites com um sonho. Mas aquela Ana havia desaparecido. No lugar dela, havia ficado só um esboço. Um primeiro rascunho. Eu."
"Mas a vida real era difícil, dolorosa, imprevisível e muito, muito agridoce. Não era uma linda foto de Instagram, ou um “vem aí” de Twitter."
Eu quero agradecer a Ray Tavares 💗 que não é o Tony Diniz mas emanou muitas ondas de felicidade ao escrever uma obra sincera, sensível e REAL brasileira. Nos presenteando com mensagens reflexivas, um romance fofo, personagens incríveis, representativos, bem humorados e companheiros, garantindo muita diversão e experiências.
"Eu queria que você me visse como eu te vejo. Uma força da natureza. Não alguém que não fica satisfeita com nada..."
"Só é um clichê porque todo mundo quer viver um."
"As Vantagens de Ser Você", é como um abraço aconchegante para quem vive dias difíceis, eu prometo que vai deixar seu coração quentinho e esperançoso.

Resenha: Meu Policial

Título: Meu Policial
Autora: Bethan Roberts
Tradução: Sofia Soter
Páginas: 280
Editora: Melhoramentos
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Sinopse: O LIVRO QUE DEU ORIGEM AO FILME COM HARRY STYLES, EMMA CORRIN E DAVID DAWSON

Uma trágica história sobre como a fúria do desejo humano leva a uma realidade frustrada, inspirada nos acontecimentos da vida de E. M. Forster.

Brighton, Inglaterra. Anos 1950. Marion avista Tom pela primeira vez. A partir de então, ela soube: seu amor seria suficiente pelos dois, perdurando até alguns anos mais tarde, quando o rapaz volta do exército e a ensina a nadar na sombra do píer. Patrick, experiente curador do Museu de Brighton, conhece Tom e mostra a ele um novo mundo, glamoroso e liberal. Patrick também se apaixona por Tom. Nessa época, é mais seguro para todos que Tom, um jovem policial, se case com Marion. Os dois amantes terão, então, de compartilhá-lo – até que um deles se rebela e três vidas começam a ser destruídas.
Se você é fã do Harry Styles, então vai gostar desse livro.


"Meu Policial" é a história que deu origem ao filme protagonizado por Harry Styles, Emma Corrin e David Dawson e foi inspirada na vida do romancista britânico E. M. Forster, que durante 40 anos se relacionou com um policial casado.

Em 1950, numa época de muita intolerância, Marion se apaixona por Tom, o irmão da melhor amiga. Em paralelo, Patrick, curador do Museu de Brighton conhece Tom e também se apaixona pelo jovem, que ao voltar do exército se torna policial. Conhecer Patrick abriu um mundo novo e liberal para o rapaz, mas em um período que a homossexualidade era considerada crime, é mais prudente que Tom se case com Marion.


A obra é dividida em duas épocas diferentes, entre 1957 à 1999, sendo narrada pelo ponto de vista de Marion e Patrick e a relação que tiveram com Tom.

Eu achei essa história muito real e devastadora, todas as vezes que leio obras que escancaram como a sociedade é machista e preconceituosa desde séculos atrás, fico refletindo o quanto é doloroso saber que o amor entre duas pessoas do mesmo sex0 já foi - e ainda é - julgado e condenado.

Por mais que Tom e Patrick se amassem, infelizmente, não tiveram o final que mereciam, viveram um amor às sombras, acobertados pelo casamento fracassado de Tom com Marion, os três sofreram e tiveram suas vidas afetadas por um tempo conservador e tradicional, difícil de enfrentar, ainda que, motivados pelo mesmo sentimento.
"Para um policial, você é muito romântico.
Para um artista, você é muito medroso." 
Gostei de acompanhar os personagens e suas imperfeições, por muitos momentos senti raiva das atitudes de Marion e Tom, mas conforme a leitura seguia eu conseguia compreender os motivos que os motivaram a tais ações e, senti empatia, principalmente, pelos sentimentos de Marion e das ilusões que ela criava para a vida dos dois.. Patrick me deixou comovida, só consegui enxergar um homem muito apaixonado que idealizava viver uma vida repleta de aventuras ao lado do "seu" policial, mas fadado a um destino oposto, só por ser quem é.
"Dizem que o amor é como um raio, mas não foi assim, foi como se a água morna se espalhasse pelo meu corpo." 
Confesso que o final foi inesperado, mas entendi a intenção da autora, embora, eu esperasse mais respostas.


O livro é tocante, melancólico e trágico, sem possibilidades de um final feliz, mas com uma pequena dose de momentos românticos entre Patrick e Tom. Uma leitura marcante para refletir uma época nada tolerante.
"- Não estou aqui para confissões. Tem um padre disposto a ouvi-las todo domingo. Você acredita?
- Não em um Deus que condene tantas pessoas.
- Tantas pessoas... Do seu tipo?
- De todo tipo."
A adaptação está prevista para lançar dia 21 de outubro, nos cinemas, e 4 de novembro na plataforma Amazon Prime.


Resenha: Vampiros Nunca Envelhecem

Título: Vampiros Nunca Envelhecem
Autores: Samira Ahmed, Dhonielle Clayton, Zoraida Córdova, Natalie C. Parker, V. E. Schwab e outros.
Tradução: Guilherme Miranda
Páginas: 266
Editora: Galera Record
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos.
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Sinopse: Onze histórias vampirescas inéditas contadas por algumas das mais importantes vozes da literatura jovem.

Neste livro, editado por Zoraida Córdova e Natalie C. Parker, você encontrará histórias sobre vampiros stalkers das redes sociais, vampiros rebeldes famintos por mais do que apenas sangue, vampiros ansiosos para debutar ― e para arranjar sua primeira vítima ―, vampiros que não apenas saíram de seus caixões, mas também do armário. Prepare-se para conhecer também outras criaturas ousadas, impactantes, perigosas, deliciosas, sinistras, icônicas e poderosas da noite.

Bem-vindos à evolução dos vampiros ― e a uma revolução nas páginas.

Vampiros nunca envelhecem traz histórias de autores best-sellers e aclamados, incluindo Samira Ahmed, Dhonielle Clayton, Zoraida Córdova e Natalie C. Parker, Tessa Gratton, Heidi Heilig, Julie Murphy, Mark Oshiro, Rebecca Roanhorse, Laura Ruby, Kayla Whale e V.E. Schwab, autora de A vida invisível de Addie LaRue, cujo conto será adaptado para uma série que está em produção pela Netflix.

Em “Primeira Morte”, de V. E. Schwab, a vampira Juliette está à espreita de Calliope, uma menina de seu colégio a quem ela não consegue resistir, e acaba decidindo que ela será sua primeira vítima, sem saber que Calliope é uma caçadora de seres sobrenaturais, assim como sua família inteira.

Prepare o seu pescoço!

Vampiros podem não ser reais, mas eles são eternos e habitam nossa imaginação por toda a eternidade. Eles somem, mas sempre voltam para sugar sua atenção, afinal, vampiros nunca envelhecem!
Não é surpresa para ninguém que vampiros sempre foram um sucesso nos livros e filmes a alguns anos atrás. E agora parece que eles estão marcando presença novamente, exibindo histórias com um ar mais contemporâneo e representativo, quebrando muitos padrões antigos.


Em "Vampiros Nunca Envelhecem" são apresentados uma coletânea de onze contos vampirescos escritos por diversos autores best-sellers da literatura YA, inclusive, a maravilhosa da V. E. Schwab que eu amo demais, com o conto “Primeira Morte”, também adaptado na Netflix com o mesmo título.

Cada história aborda temas variados sobre os vampiros - da transformação até um guia para ser um deles - porém, de uma forma inédita. Esta antologia trás MUITA representatividade LGBTQIAP+, com personagem trans, sáficas, aquileanos, , gordo, negro, PCD, latino, etc.

Com contos icônicos, sombrios, um pouco assustadores, ora fluidos, em alguns momentos mais lentos, ainda assim, eu e minha companheira de leitura @meus2literario gostamos muito dessa nova perspectiva envolvendo essa antologia.


Após cada conto uma discussão é aberta pelas editoras do projeto: Zoraida Córdova e Natalie C. Parker e foi super interessante acompanhar as opiniões delas sobre cada um dos contos e das reflexões que deixaram para os leitores.

Os contos que eu mais gostei foram: Primeira Morte, Chupa, ensino médio, Um guia para o vampiro desi recém-transformado e a A casa das safiras negras.

A capa rosa com detalhes em glitter ficou muito linda e "conversou" muito com a proposta cheia de representatividade que a obra exibe.

Para quem gosta do universo vampírico, com certeza vai adorar esse livro, assim como a série adaptada.

Resenha: Romance Real

Título: Romance Real
Autora: Clara Alves
Páginas: 264
Editora: Seguinte
Classificação: Não recomendado para menores de 13 anos.
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Sinopse: Da mesma autora de Conectadas, este livro é um conto de fadas moderno sobre perdas e segundas chances.

Dayana deixou o Rio de Janeiro para trás e está de mudança para Londres. Há pouco tempo, seu maior sonho era visitar o país da One Direction, sua banda preferida, mas agora ela tem certeza de que está vivendo um pesadelo. Depois de dez anos sem encontrar o pai, ela se vê obrigada a morar com o homem que a abandonou, a mulher dele e sua filha ― a família perfeita que Dayana nunca teve. Tudo isso enquanto tenta lidar com o luto pela morte recente da mãe.

O que ela não imaginava era que, logo em seus primeiros dias ali, iria esbarrar em uma ruiva charmosa pulando as grades do Palácio de Buckingham. À medida que se aproximam e se ajudam a enfrentar os conflitos pelos quais estão passando, as duas se apaixonam. Mas Dayana tem certeza de que a garota está escondendo algo sobre sua relação com a família real…

Será que Londres conseguirá curar o coração de Dayana e dar a ela um final feliz?
Após a trágica perda da mãe, Dayana deixa o Rio de Janeiro e vai morar em Londres, país onde reside a One Direction, sua banda preferida, mas o que seria um sonho, se transforma em pesadelo. Depois de dez anos sem encontrar o pai, ela irá morar com o homem que a abandonou, além de, encarar sua nova família e lidar com o luto pela m0rte da mãe.

Só não estava em seus planos que logo nos primeiros dias, iria esbarrar em uma garota ruiva pulando as grades do Palácio de Buckingham. Depois desse encontro inesperado, elas criam uma conexão, se apaixonam e percebem que juntas podem ser o conforto de que precisam para enfrentar seus problemas. Mas à medida que vão se conhecendo, Day, percebe que Diana esconde algo sobre sua relação com a família real.
"Eu poderia até não ter certeza alguma sobre querer continuar morando em Londres. Mas tinha certeza absoluta de que queria viver naquele beijo para sempre."

Com uma escrita fluida, narrada em primeira pessoa pela protagonista, "Romance Real" vai apresentar uma história repleta de representatividade. Dayana é uma adolescente bissexual, negra e gorda, perdeu a mãe recentemente e está vivenciando as fases do luto e, tudo fica ainda mais confuso quando ela se muda para Londres e passa a conviver com o pai que não vê a anos, a madrasta falsa e a irmã.

Amei como a Clara Alves conseguiu desenvolver uma personagem identificável. Dayana é chata, rebelde, em conflito e cheia de traumas. Não é nada fácil para uma adolescente - já repleta de problemas emocionais - lidar com tantas mudanças e perdas. À medida que acompanhamos um pouco do seu passado, é revelado muitos dos acontecimentos que desencadearam suas inseguranças, sendo assim, é compreensível algumas das suas atitudes.

Os personagens secundários tem muita presença na narrativa, gostei muito da Lauren e de como ela desmistificou o conceito de "madrasta ruim" que a Day tinha antes, assim como foi legal ver o progresso com a Georgia, a irmã mais nova.


O romance sáfico não é muito aprofundado mas consegue entregar momentos de deixar o coração quentinho. Dayana e Diana são muito fofas juntas, gostei muito de como elas se deram bem à primeira vista e se conectaram.
"Mas ali estava eu, de frente para aquela garota marcada por constelações, com um sorriso apaixonado e o olhar de quem estava disposta a tudo para me fazer feliz.
E eu soube.
Eu tive certeza.
Eu era a garota mais sortuda do mundo."
A ambientação londrina está impecável, ao fazer a leitura consegui visualizar o palácio de Buckingham, Nothing Hill, a Família Real criada pela imaginação da autora, e todos os lugares por onde a Day visitou. É um livro repleto de referências da cultura pop, trechos das músicas da banda One Direction estão presentes em cada início de capítulo.
"Existem coisas pelo quais vale a pena se encrencar. Você é uma delas."
A capa do livro chamou minha atenção antes mesmo de ler a sinopse, que trabalho incrível o da ilustradora Isadora Zeferino, ilustração linda, colorida e convidativa. A diagramação também está maravilhosa, com guarda ilustrada e dois marcadores nas orelhas. Selo Seguinte nunca decepciona.


Em suma, se você procura por uma leitura representativa e leve, que discute temas pertinentes de forma responsável, além de oferecer fofocas da realeza, esse livro vai te abraçar como fez comigo.

Resenha: Luzes do Norte

Título: Luzes do Norte
Autora: Giulianna Domingues
Páginas: 280
Editora: Galera Record
Classificação: Não recomendado para menores de 13 anos.
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Sinopse: Luzes do Norte é o livro de estreia de Giulianna Domingues, uma aventura intensa e cheia de reviravoltas, com uma protagonista que se recusa a jogar pelas regras dos outros. Entre ursos assustadores, florestas nevadas, mistérios e intrigas, Dimitria tem uma única missão: proteger Aurora van Vintermer. Custe o que custar.

Dimitria Coromandel é uma caçadora excepcional, a melhor da região, e, após a morte dos seus pais, se tornou a base para o sustento de sua pequena família. Para ela, o peso da responsabilidade e a necessidade de conseguir dinheiro são os impulsos de sua movimentada rotina, e, no inclemente inverno de Nurensalem, ela precisa caçar durante o dia se quiser trazer comida para a casa à noite. No entanto, quando fisga a atenção de Bóris van Vintermer, patriarca da família mais rica do local, sua realidade começa aos poucos a se transformar.

Requisitada para desempenhar funções de chefe da guarda de Aurora, primogênita da abastada família Van Vintermer, Dimitria tem seu dia a dia significativamente alterado: agora, ela precisa acompanhar Aurora em suas obrigações e, acima de tudo, protegê-la de todo e qualquer contratempo. Seria perfeito: atribuições simples em troca de um farto pagamento.

A novidade cai como uma luva também para Gui, seu irmão e apaixonado em segredo por Aurora desde a mais tenra infância. Para ele, o estreito contato entre elas pode representar uma chance de ser notado pela herdeira e, talvez, uma oportunidade de conquistar seu coração.

Mas à medida que o tempo passa, a proximidade entre Dimitria e Aurora dá origem a algo maior, mais profundo... e arrebatador. Dividida entre preservar seu novo e bem-remunerado emprego, permitir que uma possível e arriscada relação se desenvolva, agir como cupido para o irmão e ir em busca de um monstro assassino de crianças à espreita nas redondezas sombrias de Nurensalem, Dimitria precisará fazer uma escolha.

Ainda que, para isso, coloque em risco a vida de quem ela mais ama.
O que eu mais amei em Luzes do Norte:

O casal sáfico fofo;
Os nomes das personagens;
A ambientação de Nurensalem;
A representatividade;
As luzes do Norte.


Nessa história iremos conhecer Dimitria Coromandel e seu irmão mais novo, Igor. Órfãos, os dois vivem do sustento de Demi, que é a melhor caçadora da região. Com o inverno de Nurensalem se aproximando, a garota está aceitando qualquer serviço para que não falte comida em casa.

Quando Bóris van Vintermer, o patriarca da família mais rica do local, requisita seu trabalho, não para caçar, mas para desempenhar funções de chefe da guarda de sua filha mais velha, Aurora Van Vintermer, sua realidade aos poucos vai se transformar. A rotina já não é a mesma, os dias de Dimitria se resumem em acompanhar e proteger a princesa de qualquer infortúnio que possa surgir.

A nova ocupação de Demi desperta uma grande euforia no irmão, mas não é somente pelo farto pagamento, Gui esconde uma paixão por Aurora desde a infância e com a irmã mais próxima, sua chance de ser notado por ela e, quem sabe, conquistar seu coração cresce ainda mais.

Mas desde que Demi e Aurora dividem seu tempo juntas e vão se conhecendo, um sentimento novo vai se intensificando entre elas e a caçadora vai ter que fazer difíceis escolhas.

Narrado em terceira pessoa e com uma escrita fluida, "Luzes do Norte" nos apresenta duas protagonistas marcantes, com vidas bem distintas mas que devido as circunstâncias irão se aproximar e descobrir que tem algumas particularidades em comum.


Eu amei o desenvolvimento do romance, me senti lendo um conto de fadas entre uma caçadora e uma princesa em meio as luzes da aurora boreal. A representatividade bissexual presente na trama fez toda a mágica acontecer, principalmente, por todo o enredo tratar com naturalidade duas mulheres se relacionarem no universo de Nurensalem.
"Embora o coração não tenha sempre o que quer, por vezes a vida consegue entregar exatamente o que ele precisa."
Os elementos fantásticos mesclados com o mistério existente na narrativa foram construídos na medida certa, acredito que a ausência de alguns aprofundamentos sobre personagens e a Romândia em si, é apenas um convite da autora para um segundo volume da história. Quero mais!


Outra coisa legal, no final do livro, ainda somos presenteados com um conto, revelando um pouco mais da infância de Dimitria antes da perda de seus pais. Achei muito bom!
"É curioso, as coisas que a gente lembra. É como se as pessoas que amamos sobrevivessem em pedaços de uma colcha de retalhos, pequenas fatias de coisas que mantemos em nosso coração."
Não posso deixar de comentar sobre a edição do livro, a capa ilustrada é linda demais e brilha no escuro, além de uma diagramação confortável, embora exista alguns erros, e com uma ilustração no início de cada capítulo.

Se você busca por uma leitura despretensiosa mas repleta de aventuras, um plot inesperado e instigante, vai adorar essa fantasia nacional.

Resenha: Se Eu Fosse um Clichê

Título: Se Eu Fosse um Clichê
Autora: Julia Rietjens
Páginas: 178
Editora: Amelie Editorial
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos. Contém gatilho de estupro e violência doméstica.
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Sinopse: Tudo começou quando Elena encontrou Alicia chorando no banheiro feminino. Quer dizer, foi bem antes disso, para falar a verdade, já que Elena é aquele típico clichê ambulante completamente deslumbrada pela garota mais popular da escola, sem ao menos ter conversado com ela.

Tímida e preocupada somente em ir bem na escola para se provar digna - afinal, ser latina nos Estados Unidos significa sempre ser questionada de sua inteligência -, Elena acaba por se aproximar da garota que ama e vê, em pouco tempo, a amizade se tornando algo a mais.

Até que Alicia confia a ela seu segredo mais íntimo. Elena passa, então, a viver um dilema: ser leal à garota que ama ou salvar a vida dela? Independente do caminho que decidir escolher, sabe que poderá perder Alicia para sempre.
O que você irá em encontrar em Se Eu Fosse um Clichê?

Representatividade LGBT;
Representatividade latina;
Personagens identificáveis;
Casal clichê fofo.

A história apresentada tem como foco duas adolescentes estudantes do ensino médio. Elena, uma garota lésbica, latina e meio nerd, apaixonada por Alicia, a garota mais linda e popular da escola.

Quando Lena encontra Alicia chorando no banheiro feminino e percebe sua vulnerabilidade, as duas começam a se aproximar, até que Alicia se sinta confiante para revelar o que está acontecendo.


Iniciei a leitura com muitas expectativas, fiquei encantada pela capa e a edição super fofa do livro, como não costumo ler sinopse, esperei ler um romance leve e clichê - como o próprio título sugere - e fui surpreendida com protagonistas intensas. Além do romance sáfico que vai se desenvolvendo entre as duas personagens, a autora entregou uma história com representatividade e temas muito pertinentes e reais vivenciados por mulheres que sofrem preconceitos de muitas formas, dentro e fora de casa.

A narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista de Elena, consegue descrever com precisão suas emoções e como ela lida sendo vítima de bullying, lesbofobia, xenofobia, assédio, etc. Além disso, a obra expõe muito dos sentimentos que uma vítima de abuso doméstico pode sentir, seus medos e angústias diárias.

Gostei muito da cumplicidade das protagonistas, principalmente das atitudes de Lena em relação a Alicia, optando por fazer a escolha certa. O enredo é bem construído, a escrita é fluida e o clichê é real, gostaria que fosse apenas no romance fofinho, mas, infelizmente, o clichê também serviu como uma metáfora para o preconceito, que é presente nas experiências vividas pelas garotas - e por muitas mulheres fora da ficção.
"Eu reencontrei o amor da minha vida. Nunca vai existir cena mais clichê do que essa."
Indico muito a leitura, apesar dos temas pesados abordados na história e que podem gerar gatilhos (consulte antes), o final aquece o coração do leitor após tantos tapas de realidade.

Resenha: Camille & Camila

Título: Camille & Camila
Autora: Bella Prudencio
Páginas: 139
Editora: Voe, Flyve
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!

Onde comprar: Amazon, Kindle Unlimited

Sinopse: Na cidade de Campos dos Goytacazes, em Agosto de 2018 nossa história começa. Camille, uma jovem lésbica que vive numa busca incessante por encontrar a si mesma, se debulha sozinha na depressão. A jovem possui apenas 21 anos, cursa o 8º período de arquitetura no IFF e tem como hobby favorito escrever e desenhar. Em busca de um sentido para sua vida, que em seu ponto de vista é medíocre e chata, a garota busca também esquecer sua ex-namorada, Carina. Camila, uma garota de 17 anos, prestes a fazer 18, acaba de entrar na faculdade de Letras no IFF e está se descobrindo mais do que nunca. Amante de livros e de músicas animadas, a jovem prometeu a si mesma nunca se apaixonar, pois foi completamente destroçada pela separação dos pais.

As duas vivem em mundos completamente diferentes, mas essa questão está prestes a mudar quando Camille e Camila se veem pela primeira vez num café. Aquela noite de inverno prende as duas como uma só e desde então seus destinos estão fadados a mudar.
A trama gira em torno de duas jovens estudantes da faculdade IFF, residentes na cidade de Campos dos Goytacazes. Camille tem 21 anos, estuda arquitetura, é lésbica, tem depressão e vive na busca de encontrar a si mesma e de superar o fim de seu relacionamento. Camila cursa letras, prestes a completar 18 anos, está vivendo a fase de se descobrir, curtir a vida, porém, não pensa em se apaixonar, pois carrega traumas que vivenciou com a separação dos pais. As duas garotas são muito diferentes, entretanto, quando se conhecem em um café, seus caminhos se cruzam e suas vidas se entrelaçam.
Aviso: o livro contém muito conteúdo sensível, gatilhos de depressão, lesbofobia, agressão, alcoolismo, relacionamento tóxico, etc. Consulte antes de ler!

Apesar das poucas páginas, a obra trás uma reflexão muito pertinente e realista aos jovens que estão passando por fases difíceis de depressão, de pertencimento e autodescoberta. No caso de Camille, ainda que, tenha hobbies saudáveis como escrever e desenhar, curse uma faculdade, sua vida não tem significado. A personagem não busca nenhum tratamento e se esconde através das festas e muita bebida como forma de alívio, e eu entendo, só quem vive a depressão sabe, é muito difícil aceitar a terapia ou pedir ajuda, pois se a própria pessoa não acredita em si mesma, como irá acreditar que pode ficar bem, dar um passo tão necessário assim? Esse entendimento leva tempo.

Em contrapartida, a Camila é uma jovem mais tranquila, focada nos estudos e livros, mas quando inicia a faculdade, fica deslumbrada com a nova fase, novos amigos e possibilidades, sendo até mesmo um pouco influenciada pelas companhias e, ao conhecer Camille, ela começa a questionar sua sexualidade, confusa com suas emoções e balançada entre a moça e um rapaz que conheceu na faculdade.

Gostei da escrita da autora e de como ela apresentou a realidade evidente que muitos jovens enfrentam em suas vidas e, como todas essas emoções foram transmitidas de forma intensa através de Camille e Camila.

Minha única ressalva para esta obra literária são os erros gramaticais na edição do livro, pois isso acaba incomodando um pouco, mas nada que possa prejudicar a experiência em si.

A leitura é rápida, fluida e reflexiva, pode gerar identificação em alguns leitores, assim como um pouco mais de compreensão em relação aos temas abordados.

Resenha: Os Dois Morrem No Final

Título: Os Dois Morrem No Final
Autor: Adam Silvera
Tradutor: Vitor Martins
Páginas: 416
Editora: Intrínsica
Classificação: Não recomendado para menores de 15 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!

Onde comprar: Amazon

Sinopse: No dia 5 de setembro, pouco depois da meia-noite, Mateo Torrez e Rufus Emeterio recebem uma ligação da Central da Morte. A notícia é devastadora: eles vão morrer naquele mesmo dia.

Os dois não se conhecem, mas, por motivos diferentes, estão à procura de um amigo com quem compartilhar os últimos momentos, uma conexão verdadeira que ajude a diminuir um pouco a angústia e a solidão que sentem. Por sorte, existe um aplicativo para isso, e é graças a ele que Rufus e Mateo vão se encontrar para uma última grande aventura: viver uma vida inteira em um único dia.

Uma história sensível e emocionante, Os dois morrem no final nos lembra o que significa estar vivo. Com seu olhar único, Adam Silvera mostra que cada segundo importa, e mesmo que não haja vida sem morte, nem amor sem perda, tudo pode mudar em 24 horas.
Como você se sentiria se recebesse uma ligação da Central da M0rte avisando que você irá m0rrer em 24 horas? Foi essa notícia que Mateo Torrez e Rufus Emeterio receberam pouco depois da meia-noite no dia 5 de setembro: os dois irão m0rrer hoje.

"Às vezes a verdade é um segredo que você guarda de si mesmo porque viver uma mentira é mais fácil."

Os dois jovens são desconhecidos um para o outro, com algo em comum, além do fato de serem Terminantes: estão sozinhos no Dia Final e não querem continuar desse jeito. Por isso, eles recorrem ao aplicativo Último Amigo, onde acabam se conhecendo para viver suas últimas horas da forma mais intensa que puderem.

Primeira coisa sobre esse livro: não pense que sua experiência será arruinada por já saber o que acontece no final dessa história. As vezes pré julgamos uma coisa sem antes mesmo experimentá-la e então deixamos de viver jornadas surpreendentes.


A história dos protagonistas é muito emocionante, são personagens identificáveis. Enquanto Mateo é um garoto de 18 anos mais reprimido e cômodo, entende que esse é o último momento para se conhecer mais, Rufus, aos 17, é um rapaz negro, bissexual, que deseja viver seu último dia intensamente. São essas diferenças que vão fazer o leitor se emocionar, refletir e se sentir representado. Eu me vi muito na personalidade de Mateo, refletindo tudo que deixo de viver por medo ou por comodidade.

"É meio bonito o jeito como um parque pode surpreender, e me dá esperança de que eu posso surpreender o mundo também."

A narrativa é fluida, com capítulos curtos, narrados em 1ª pessoa por Mateo e em 3ª pessoa pelos demais personagens, proporcionando profundidade e oferecendo uma visão completa de tudo o que está acontecendo. Além disso, é uma leitura com representatividade LGBTQIA+ e personagens não brancos.

E um dos pontos mais tocantes dessa obra é que, quando os dois vivem novas experiências, eles não optam por fazer nada extraordinário, passam a enxergar e a fazer as coisas mais simples da vida. E mais uma vez avaliamos o simples que deixamos de apreciar, por dar prioridade nas coisas banais.


Os Dois M0rrem no Final é uma leitura surpreendente, mesmo sabendo o fim, a experiência é inigualável, difícil de digerir, não somente pelo título previsível mas pelo contexto todo que a história nos presenteia: aproveitar a vida.

"Minha visão de utopia é assim: um mundo sem violência e tragédias, onde todo mundo vive para sempre, ou até alcançar uma vida satisfatória e feliz e decidir por conta própria que quer partir para o que nos aguarda depois da morte."
O livro terá continuação e será adaptado.

Resenha: King e as Libélulas

Título: King e as Libélulas
Autora: Kacen Callender
Tradutor: Vic Vieira
Páginas: 208
Editora: Nacional
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos.
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Onde comprar: Amazon

Sinopse: Kingston James – ou apenas King para os amigos – é um garoto de doze anos e tem certeza de que seu irmão, Khalid, virou uma libélula. Apesar de Khalid ter morrido inesperadamente e se transformado em uma libélula do bayou, uma região pantanosa da pequena cidade de Lousiana, ele ainda se mantém sempre próximo de King, fazendo visitas em seus sonhos.

Lidar com tudo isso seria mais fácil se o garoto pudesse buscar o apoio de seu melhor amigo, Sandy Sanders ― mas, como último conselho ainda em vida, Khalid disse a King para romper a amizade com Sandy, pois havia descoberto que ele poderia ser gay: “Você não quer que ninguém pense que você é gay também, ou quer?”. Quando Sandy desaparece, colocando toda a cidade à sua procura, King descobre que seu ex-melhor amigo está mais perto do que imagina, em uma barraca no quintal, se escondendo do pai abusivo.

Assim, os dois começam uma aventura, construindo um paraíso privado no bayou, entre as libélulas. À medida que a amizade de Sandy e King é retomada, ele é forçado a confrontar questões sobre si mesmo e sobre a morte do irmão. King e as libélulas explora raça, sexualidade, luto e identidade de uma forma íntima e próxima aos jovens, com uma lição de amor e libertação.
King é um menino negro de doze anos que perdeu seu irmão de forma brusca e tem certeza de que ele virou uma libélula e está sempre próximo visitando seus sonhos. Ainda em vida, o irmão pediu para que se afastasse de Sandy, seu melhor amigo, pois descobriu que ele poderia ser gay e King poderia ser também se ficasse perto dele. Mas quando Sandy Sanders desaparece de casa, deixando toda a cidade alerta, King o encontra numa barraca em seu quintal e descobre a razão por trás da fuga do amigo.
"Você não quer que ninguém pense que você é gay também, ou quer?"

Esse livro foi uma surpresa boa para mim, com uma narrativa fluida e capítulos curtos, é uma história repleta de temas pertinentes e atuais como o luto, a busca da identidade e aceitação,  sexualidade, raça, todos tratados com muita responsabilidade.

Fiquei encantada com a sensibilidade do autor ao abordar o luto de diferentes formas, seja através do personagem principal e também de seus pais e a relação entre eles, afinal, uma perda sempre atinge a família toda.
"Devemos ser quem somos e gostar de quem gostamos, não importa quem vai rir."
King me comoveu muito com suas questões pessoais, a culpa por ter se afastado do amigo, a dor da perda, a confusão sobre si mesmo em relação a sua sexualidade, o convívio distante com os pais, os amigos da escola. Para uma criança de 12 anos são muitos sentimentos para carregar, entretanto, fiquei emocionada com sua maturidade em lidar com tudo e feliz com a reaproximação da amizade com Sandy, criando laços mais fortes de confiança e cumplicidade. O menino é cativante e justo, amei acompanhar sua jornada de autodescoberta, deixou meu coração quentinho.
"Mas a saudade vira algo diferente também, depois de um tempo elas se tornam memórias. Se tornam rir de algo engraçado que ele já fez ou disse, mesmo que ele não esteja aqui para rir com você."
Em suma, King e as Libélulas é um livro leve, no entanto, possui alguns gatilhos mesmo que sejam abordados de forma responsável, consulte antes.

Resenha: Com amor, Clara

Título: Com amor, Clara
Autor: Fabio Viccent
Páginas: 88
Editora: Ascensão
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!

Onde comprar: Amazon, Kindle Unlimited

Sinopse: Por mais que estivesse cercada de pessoas, Clara, sentia solidão. Essa angústia existe, pois ela perdeu seu bem mais precioso... Sem se despedir, sua mãe apenas se fora desta vida. Com isso, o mundo, que antes era iluminado e feliz, em pouco tempo, tornou-se cinza e sem sentido. Surge, então, o refúgio necessário para seguir em frente: Clara decide escrever cartas para sua mãe diariamente.

A certeza de que serão lidas alimenta sua fé e esperança. Ela não sabia exatamente onde sua mãe estava, mas sabia que, independente do tempo que levasse, elas se reencontrariam para o abraço que tanto fez falta. Clara estava certa! Após momentos na escuridão, eis que surge a luz necessária para mostrá-la que tudo fica bem para os que tem amor no coração.
Clara perdeu sua mãe precocemente e se encontra em fase de solidão e luto. Quando ela inicia terapia para aprender administrar suas emoções, sua psicóloga orienta que ela escreva cartas para sua mãezinha, como forma de amenizar a dor e senti-la mais próxima.

A jovem passa a escrever cartas contando o seu dia a dia para a mãe, demonstrando através das palavras seu processo de luto, todos os conflitos e sentimentos profundos que sente, os momentos de dor profunda e desespero pela ausência física da pessoa mais importante de sua vida.


Além de Clara, existe outro personagem relevante no enredo, que além de trazer outra perspectiva para a vida da personagem principal, irá contar a sua história de autodescoberta e de todas as dores que enfrentou em casa por conta do preconceito.

Esse livro, apesar de poucas páginas, é poderoso em sentimentos. É incrível como em poucas palavras o autor consegue transmitir todas as etapas do luto que a Clara sofre e do preconceito que André resistiu. É impossível ler todas essas cartas e não se comover e sentir empatia pelos personagens.
"E, pedaço por pedaço, vou reconstruindo o que sobrou de mim, buscando alguma resposta para esse meu vazio e o motivo de eu ainda estar aqui em meio a tanta solidão e tristeza."
A leitura é muito fluida e a narrativa muito bem construída. Gostei muito que a diagramação do livro é escrita como se fossem mesmo cartas, tornando a experiência mais palpável.
"Nós, jamais saberemos o espaço que o outro ocupa em nosso peito, até que ele se vá."
"Com amor, Clara", oferece ao leitor muitas reflexões sobre luto, superação, a importância da amizade, apoio e esperança de dias melhores. Mas principalmente: não deixe de dizer o quanto ama alguém, pois nossa vida é só uma passagem breve de ida.
"Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós."
Contém gatilhos: luto, depressão, menção ao suicídio, homofobia, agressão física, psicológica.

Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




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