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Resenha: A Pediatra

Titulo: A Pediatra
Autora: Andréa Del Fuego
Páginas: 160
Editora: Companhia das Letras
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Onde comprar: Amazon

Sinopse: Cecília é o oposto do que se imagina de uma pediatra ― uma mulher sem espírito maternal, pouco apreço por crianças e zero paciência para os pais e mães que as acompanham. Porém a medicina era um caminho natural para ela, que seguiu os passos do pai. Apesar de sua frieza com os pacientes, ela tem um consultório bem-sucedido, mas aos poucos se vê perdendo lugar para um pediatra humanista, que trabalha com doulas, parteiras e acompanha até partos domiciliares. Mesmo a obstetra cesarista com quem Cecília sempre colaborou agora parece preferi-lo.

Ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra.
Cecília é uma personagem muito peculiar: uma pediatra que não é afeiçoada a crianças.

Ela estudou medicina desapaixonada, apenas seguindo os passos do próprio pai. Embora sua frieza com os pacientes e sua falta de paciência com os pais dos pequenos, ela é uma profissional bem sucedida, ainda que, possua uma relação mecânica com sua profissão. Aos poucos ela vai perdendo espaço para um novo pediatra humanista que trabalha com doulas, parteiras e acompanhamentos domiciliares, diferente de Cecília, que faz seu trabalho de forma prática e sem qualquer apelo emocional.

Diante desse cenário, Cecília, ameaçada por essa prática oposta do que se imagina de um pediatra, irá investigar e ficar meio obcecada para entender o que se passa na cabeça de algumas mulheres que decidem escolher esse caminho de parto natural.
Em paralelo , vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela médica.

Li esse livro através da LC organizada pelo @clubelivrismo, foi também meu primeiro contato com a Andrea Del Fuego e, que escrita direta e incômoda. A autora conseguiu criar uma protagonista completamente oposta do que a sociedade espera de um profissional de pediatria, desconstruindo a visão romantizada que temos de maternidade numa narrativa recheada de pensamentos cínicos, muitas vezes chocantes e um humor bem ácido.


Cecília é daquelas personagens anti heróis que a gente ama odiar. De caráter duvidoso, com vários pensamentos e atos absurdos que nos fazem refletir por muitos dias.

Narrado em primeira pessoa, com capítulos curtos e fluidos, A Pediatra, foi uma das minhas melhores leituras nacionais desse ano, eu amei, não adianta eu ficar falando sobre, esse é um tipo de obra que você precisa viver a experiência. Recomendo demais!

Resenha: Hibisco Roxo

Título: Hibisco Roxo
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Tradutora: Julia Romeu
Páginas: 328
Editora: Companhia das Letras
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Sinopse: Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país.

Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Hibisco Roxo se passa na Nigéria e conta a história de Kambili e sua família. O pai é uma figura muito respeitada por todos, sempre ajuda a população financeiramente, é dono de um jornal e uma fábrica de produtos diversos - é um homem rico - que proporciona uma vida de privilégios a família; mas em casa, é autoritário e cheio de regras rígidas, Eugene, é um católico fanático e muito ligado às tradições religiosas africanas. O seu comportamento é tão extremado que ele renega o próprio pai, um idoso ainda afeito aos ritos tradicionais da cultura dos ancestrais.

Mas, quando Kambili e Jaja, seu irmão, vão passar uma temporada na casa da tia, a percepção de Kambili sobre o mundo começa a mudar. Ela e o irmão enxergam o quanto a intolerância do pai está destruindo a vida de toda a família.

"Não conseguia parar de pensar no batom de Amaka, me perguntando como seria espalhar cor em meus lábios."
O livro é narrado por Kambili que nos dá detalhes sobre sua vida antes e depois de conhecer sua tia Ifeoma, sua família tem uma importância fundamental na narrativa. Através dessa viagem que a personagem principal e o irmão irão conhecer a verdadeira Nigéria, as diferenças sociais e a liberdade de expressão, de compartilhamento de ideias. Os pensamentos de uma família para a outra são tão divergentes que Kambili e Jaja passam a enxergar possibilidades que jamais tinham enxergado pela "educação" limitada do pai.
"Os tiranos continuam reinando porque os fracos não conseguem resistir. Você não vê que é um círculo vicioso? Quem vai quebrar esse círculo?"
A leitura é muito rica, desde aos temas abordados, quanto a história em si. Uma obra completa, que nos ensina sobre a cultura nigeriana, o panorama político e faz críticas sociais sobre os traços herdados pela colonização e pelos golpes de estado que um país sofre.

Resenha: Belo Mundo, Onde Você Está

Título: Belo Mundo, Onde Você Está
Autora: Sally Rooney
Tradutora: Débora Landsberg
Páginas: 352
Editora: Companhia das Letras
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Sinopse: Alice conhece Felix pelo Tinder. Ela é romancista, ele trabalha num armazém nos subúrbios de uma pequena cidade costeira da Irlanda. No primeiro encontro, enquanto os dois tentam impressionar, a fagulha de algo mais aparece.

Em Dublin, Eileen está tentando superar o término de seu último relacionamento enquanto precisa lidar com a falta da melhor amiga, que se mudou para o litoral. Ela acaba voltando a flertar com Simon, um homem mais velho que acompanha sua vida há tempos.

Alice, Felix, Eileen e Simon ainda são jovens, mas sentem cada vez mais a pressão do passar dos anos. Eles se desejam, se iludem, se amam e se separam. Eles se preocupam com sexo, com amizade, com os rumos do planeta e com o próprio futuro. Seriam eles as últimas testemunhas do ocaso? Eles vão conseguir encontrar uma forma de viver mais uma vez em um belo mundo?

Com uma prosa única e brutal, Sally Rooney constrói mais um romance inigualável sobre o que significa amadurecer sem deixar a si mesmo para trás.
Belo Mundo Onde Você Está, acompanha a vida de duas amigas na faixa dos 30 anos, Alice, uma romancista que reside numa cidade do interior da Irlanda e Eileen Lydon, que vive em Dublin e é editora em uma revista.


Através de longas conversas de e-mail, as duas amigas irão lidar com suas inseguranças, as aflições da vida adulta e relacionamentos. Alice está se relacionando com Felix, um rapaz que conheceu no Tinder e Eileen está envolvida com Simon, um velho amigo.


Narrado em terceira pessoa, alternando os capítulos entre Alice e Eileen, o livro irá explorar os conflitos do mundo atual para aqueles que nasceram no final do século XX e que hoje vem tentando viver nesse novo mundo repleto de tecnologia e quase a beira de um colapso em diversas áreas.

Sendo esse meu primeiro contato com Sally Rooney, no início eu achei a leitura um pouco difícil, mas no decorrer da obra e através dos e-mails trocados, fui compreendendo o quanto os personagens são como pessoas reais, enfrentando seus dilemas, traumas, esgotamento mental, sexualidade, relações afetivas. As reflexões entre as protagonistas são o eixo da narrativa, é interessante acompanhar seus questionamentos sobre o quanto o mundo mudou e está perdendo sua beleza.


É intrigante como a autora consegue criar uma história que trás identificação ao leitor, pois em muitos momentos é possível se identificar com algum pensamento dos personagens, não é um livro de muitos acontecimentos e repleto de ação, é mais para provocar emoções.
"Eu estava cansada, era tarde, quase dormia no banco de trás do táxi quando me lembrei de um jeito esquisito que, aonde quer que eu vá, você está comigo, assim como ele, e enquanto vocês dois viverem, para mim, o mundo será belo."
Assim sendo, Belo Mundo Onde Você Está, é sobre pessoas normais, suas imperfeições e vulnerabilidades. Não é um livro que irá agradar a todos mas também pode surpreender.
Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




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