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Resenha: O clube dos Amigos Imaginários

Título: O clube dos Amigos Imaginários
Autora: Glau Kemp
Páginas: 280
Editora: Verus
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!
Onde comprar: Amazon, Kindle Unlimited

Sinopse: Às vezes amigos imaginários podem ser a nossa melhor companhia. Ou não...

Vanessa e Thiago são dois jovens que ainda não abandonaram seus amigos imaginários. Depois de perderem o grupo de terapia que frequentam, eles decidem criar o clube dos amigos imaginários com Ricardo e Júlia, para continuar se reunindo e encontrar apoio para seus medos e traumas. Com muitos sonhos e amigos em comum, os quatro se jogam em uma série de aventuras que só o destino sabe onde vai dar.

Narrando os encontros e desencontros desse grupo de amigos nada convencionais, O clube dos amigos imaginários nos insere em um universo repleto de sensibilidade, muitas vezes incompreendida, e acontecimentos capazes de transformar para sempre a vida de cada um de seus personagens.

Em seu segundo livro, Glau Kemp nos leva a reflexões sobre os caminhos pelos quais a mente pode perambular para nos ajudar a crescer e confirma seu talento para a literatura juvenil.

Original e irreverente, O clube dos amigos imaginários é um livro que ninguém vai abandonar enquanto não chegar ao fim. Inspirador para adolescentes e uma recordação para os adultos que esqueceram que já foram jovens.

A Voz ― o amigo imaginário dele.

Eu sou a voz dentro da cabeça dele e garanto: sou a parte menos louca desse garoto. Vou contar esta história para vocês, mas saibam que não é uma trama qualquer de adolescentes mimizentos! Só acontece coisa de maluco; tudo em que esse garoto se mete dá errado. Então esta é uma história real sobre amigos imaginários. Uma história de sexo adolescente, que consiste em mão na bunda por cima da calça jeans. Uma história de violên­cia, basicamente sobre tapas que não acertam a cara de ninguém. E uma história de amizade que reúne quatro jovens insanos e seus amigos imaginários. Pessoas vão morrer, se apaixonar, enlouquecer e recuperar a sanidade. Não nessa ordem, senão seria uma história de zumbis. E isto aqui é sério.

O Urso Bobo ― o amigo imaginário dela.

Eu vou morrer… Esse é o grande spoiler da vida, um dia a gente morre. Então não quero ninguém chorando em cima de mim, me banhando em saliva e meleca. Porque esta é uma história feliz, de amor, amiza­de e superação. Uma história real sobre amigos imaginários, em que eu acabo morrendo no final. Mas quero contar para vocês como foram os últimos e gloriosos dezessete anos. Os mais loucos que alguém poderia ter. Os anos em que fui o Urso Bobo de pelúcia da Vanessa. A garota mais legal do mundo e meu grande amor.
Com uma escrita viciante e fluida, essa é uma história que me surpreendeu desde as primeiras páginas pela narrativa original e criativa apresentada pelo ponto de vista de um urso bobo de pelúcia e uma voz ácida e sarcástica dentro da cabeça.


Thiago, Vanessa, Julia e Ricardo tem mais em comum do que imaginam. Se tornaram amigos de uma forma muito inusitada: quando o grupo de terapia que frequentam é interrompido de forma violenta. No entanto, eles decidem criar o clube dos amigos imaginários, para continuar se reunindo e dividindo seus medos e traumas.
"A escuridão fica tímida na presença da luz."
Os quatro adolescentes possuem trajetórias de vidas marcadas por experiências traumáticas. Seus amigos imaginários da infância estiveram presentes quando mais precisavam, porém, não os abandonaram e continuam presentes no decorrer da adolescência influenciando, muitas vezes de forma negativa, em suas escolhas.


Amei esse livro! Glau Kemp nos insere numa trama repleta de sensibilidade, de pessoas que são consideradas diferentes, constantemente incompreendidas, com acontecimentos capazes de transformar para sempre suas vidas.
"Porque a vida acontece independentemente dos nossos planos e chega ao fim em um instante."
Gostei muito de acompanhar a jornada de cada personagem, me tocou profundamente conhecer suas particularidades. Entre medos e anseios foi bonito vê-los se apoiando, se aproximando e construindo um laço forte de amizade.
"Eu sou louco, sempre fui. Estes são meus amigos, que também são doidos, mas eles são mais minha família que a maioria das pessoas nessa festa. por que com eles eu posso ser o cara desastrado que ouve uma voz maluca na cabeça."
O final me impactou, eu não esperava por ele, mas compreendi. Além disso, ficou algumas questões em aberto, nada que estrague a experiência surreal que essa obra proporciona.

Esse é um livro identificável, que aborda diversas questões delicadas. Temas como suicídi0, depressã0, vi0lência d0méstica, s3xual, homof0bia são alguns dos assuntos trabalhados de forma responsável e sensível pela autora. Embora o conteúdo seja pesado, as mensagens oferecidas são como abraços quentinhos, nos acolhe, expressa que não estamos sozinhos e trás diversos ensinamentos, além de destacar a importância de cuidar da saúde mental.
"Eles foram unidos pelas fraquezas."
"O Clube dos Amigos Imaginários" é uma leitura tocante, genial e um dos cinco livros finalistas do prêmio Jabuti, merece muito ganhar. É uma narrativa fantástica!

Resenha: A Garota que não se calou

Titulo: A Garota Que Não Se Calou
Autora: Abi Daré
Tradução: Nina Rizzi
Páginas: 352
Editora: Verus | TAG Experiências Literárias
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
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Sinopse: Adunni nasceu e cresceu em uma aldeia rural na Nigéria. Aos catorze anos, ela é uma mercadoria, uma esposa, uma serva. Mas, acima de tudo, ela é inteligente, engraçada e curiosa, com uma energia contagiante.

A mãe de Adunni lhe disse que a educação é a única maneira de não se calar ― de não perder a capacidade de falar por si mesma e decidir o próprio destino. Depois da morte da mãe, o pai da garota a vende para ser a terceira esposa de um homem que está ansioso para ter um herdeiro.

Adunni consegue fugir do casamento arranjado, apenas para ser vendida para uma família rica, à qual deverá servir. Mas, ao contrário de tantas outras garotas forçadas a uma vida de servidão, Adunni não será silenciada.

Apesar dos obstáculos aparentemente intransponíveis em seu caminho, Adunni nunca perde de vista o objetivo de escapar da vida em que nasceu para poder construir o futuro que escolheu para si ― e ajudar outras meninas como ela a fazer o mesmo.

Em A garota que não se calou, a determinação de Adunni de encontrar alegria e esperança mesmo nas circunstâncias mais difíceis nos inspira a ir atrás dos nossos sonhos... e talvez até a mudar o mundo.
Adunni nasceu e cresceu numa aldeia rural muito pobre na Nigéria. Com apenas 14 anos, é considerada um produto, uma esposa, uma serva. Mas, acima de tudo, ela é muito inteligente, engraçada, curiosa e sonha em estudar. Quer ser professora e melhorar sua vida e a de todas as crianças como ela.

A mãe sempre incentivou e se esforçou para que sua filha estudasse, ela dizia que a educação é a única maneira de não se calar ― de não perder a capacidade de ter voz e decidir o próprio destino. Mas lamentavelmente a menina teve de interromper a escola após a morte da mãe. O pai, diante de dívidas e a falta de comida em casa, vende a filha como terceira esposa de um homem mais velho que está ansioso para ter um herdeiro.

Longe da família, Adunni não vê outra escolha se não a de se adaptar. E ela consegue, até o momento em que se envolve numa situação muito perigosa que a obriga a fugir para bem longe.


Apesar de todos os obstáculos em seu caminho, Adunni nunca perde de vista o objetivo de escapar da vida que tem para poder construir o futuro que escolheu para si. Ela resisti, encontra alegria e esperança mesmo nas circunstâncias mais difíceis e aproveita as oportunidades para alcançar sua liberdade.

A autora conseguiu transmitir a essência da personagem em sua escrita, narrando em primeira pessoa uma garota com pouco estudo, portanto, seus pensamentos e sentimentos são transmitidos precisamente da forma como ela fala, podendo causar estranhamento no início, até você enxergar a realidade de Adunni e perceber a jogada genial da autora.
"Adunni, cê deve fazer o bem pros outros, mesmo quando cê não tá bem, mesmo quando o mundo inteiro no seu redor não tá bem."
Essa é uma obra de luta e resistência. Dolorida, comovente, inspiradora e inesquecível!

Para nos lembrar que nós, mulheres, temos voz e que nenhuma opressão irá nos calar, não mais. Somos fortes!

Estou tão apaixonada por esse livro, acho que todos deveriam lê-lo, é muito inspirador e impactante!

Resenha: A Aurora da Lótus

Título: A Aurora da Lótus
Autora: Babi A. Sette
Páginas: 350
Editora: Verus
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.
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Sinopse: Egito, 1283 a.C. Dentro do bairro hebreu vive Zarah, uma jovem que sonha com a liberdade e com dias melhores para o seu povo. Salva de um ataque por Ramose, um comandante egípcio, ela se envolve em um jogo de sedução e é arrebatada por uma paixão proibida.

Ramose é o inimigo, mas tem nas mãos a promessa de uma vida melhor não somente para ela, como também para o seu povo. Virando as costas para os costumes e o acolhimento de sua gente e para o convívio com David, seu melhor amigo, Zarah escolhe a possibilidade de viver um grande amor e acaba entregue a uma paixão intensa e obsessiva, em que desejo, ciúme e posse se misturam.

Agora, para reescrever a sua história, Zarah terá que percorrer uma jornada de volta à sua essência e descobrir até onde é capaz de ir em busca da liberdade e do amor verdadeiro.
Uma história sobre a busca pela liberdade e o amor verdadeiro

É em meados de 1283 a.C que a jovem hebreia Zarah sonha com a possibilidade de ser livre e melhorar a vida de seu povo. Ela vive dentro dos muros de um bairro hebreu, às margens do rio Nilo, rodeada de pobreza e trabalho duro. Seu único conforto é seu amigo David, amigo desde a infância e que sempre esteve ao seu lado. Mas tudo irá mudar após Zarah sofrer um ataque violento e ser salva por Ramose, um comandante egípcio.


Ramose é o inimigo, o típico homem que parece maravilhoso até mostrar quem realmente é. Além de egípcio, ele corresponde ao poder e causa opressão a população hebreia. Mas para conquistar o coração de sua Lótus, vale até fazer promessas de uma vida melhor não somente para ela, como também para o seu povo.
"Por que uma mulher que deseja sentir prazer ou viver com direitos iguais aos de um homem se torna uma ameaça?"
Inebriada com a oportunidade e a esperança de viver um grande amor, Zarah escolhe deixar seus costumes, o acolhimento de sua gente e o convívio com David para se entregar a uma paixão intensa e obsessiva, em que desejo, luxúria, ciúme e posse se confundem.


A história despertou muitos sentimentos em mim, foi um misto de raiva, revolta, indignação e nervoso em relação aos personagens principais.
"Podem tirar sua liberdade, as suas terras, a sua família, o seu trabalho, mas ninguém pode tirar o seu conhecimento e a sua fé."
Zarah é muito imatura e ingênua, foi facilmente manipulada. Ela acredita demais que tudo pode melhorar, então acaba aceitando coisas absurdas em nome do "amor". E me incomodou a velocidade com que ela se esqueceu de si mesma e de seus princípios para mergulhar no vislumbre apresentado, para quem sabe, conseguir melhorar sua vida e a de seu povo.

Ramose é um personagem muito bem construído e complexo. Muito fanático por sua crença, possessivo, um egípcio cheio de ganância, sua obsessão o leva a loucura, ele enxerga o amor como posse.
"Estamos aqui para errar e acertar, mas sobretudo para aprender a amar, sem abrir mão nem do poder pessoal nem da nossa sabedoria."
A leitura é fluida, instiga o desejo de saber o que irá acontecer a seguir. Só não esperem um romance fofo e apaixonado entre Zarah e Ramose, eu só vejo problemáticas, mas entendo, as circunstâncias eram outras.
"Nada em excesso traz felicidade (...) É impossível amar de forma descontrolada, possessiva, e não ser dominado pelo medo. (...) Medo de perder a pessoa amada, posse, medo de não controlar quem se ama, domínio; tudo isso é uma ilusão, o amor real é livre."
Em suma, o livro é ótimo, bem ambientado, é fácil visualizar os cenários do Egito Antigo, os plots finais não foram surpreendentes mas o epílogo deixou um quentinho no coração.

Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




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