Resenha: Jake Livingston vê gente morta

Título: Jake Livingston vê gente morta
Autor: Ryan Douglass
Tradutor: Adriana Fidalgo
Páginas: 272
Editora: Galera Record
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Jake Livingston vê gente morta. O tempo inteiro! E, agora, também é perseguido por uma delas. Mas, dessa vez, ele não sabe se conseguirá vencer. Conheça a história do médium adolescente que se tornou um best-seller instantâneo do New York Times.

Francamente, já deu pra Jake Livingston. Não bastasse ser o único aluno negro e gay da escola, ele ainda por cima vê fantasmas por toda a parte. E é lógico que não são fantasminhas camaradas: seria sorte demais, e essa já o abandonou há muito tempo. Faz parte do dia a dia de Jake se deparar constantemente com os resquícios plasmáticos e sangrentos de tragédias do passado.

As coisas pareciam estar melhorando com a chegada de um novo aluno, o bonito e simpático Allister, que desperta sensações intensas em Jake. Mas será que Jake está prestes a deixar a opinião dos outros de lado e viver seu primeiro romance? Ou melhor: será que pode se permitir viver um romance ou isso colocaria a vida do garoto que gosta em risco?

Afinal, no plano espiritual, tudo vai de mal a pior.

Sawyer Doon era um adolescente problemático e foi responsável por terríveis acontecimentos em uma escola do bairro. Agora como fantasma, se tranformou em um espírito poderoso, vingativo e obcecado pelo único médium disponível na região: Jake Livingston.

Quando o mundo dos mortos ameaça transpor a tênue linha que o separa dos vivos, caberá a Jake tomar o controle da situação e impedir que novas tragédias aconteçam.
O primeiro romance de terror YA do autor Ryan Douglas, “Jake Livingston vê gente morta” captura a dor de navegar na adolescência quando ninguém ao seu redor vê o mundo da mesma maneira que você vê.

Jake não se encaixa na sua escola preparatória da área de Atlanta por três razões: ele é negro. Ele é gay. E ele pode ver os mortos.

E dentre esses mortos, há Sawyer, um adolescente problemático que causou em uma escola do bairro. E agora, como fantasma, ele está muito obcecado no único médium disponível: o Jake, claro. Inclusive, essa obsessão me lembrou bastante o filme “Corra”, de Jordan Peele.


Há muita ação de fantasmas na obra, porém, as cenas mais horríveis não envolvem nada sobrenatural. São as semelhanças de enfrentamento de Jake e Sawyer que tornam o livro assustador: dois garotos homossexuais reprimidos por medo do preconceito e bullying, tanto dentro e fora de casa. A única coisa que os difere são os caminhos que escolheram seguir.
"Ver a escuridão tão nitidamente sempre me leva a pensar que sou o único que pode enxergá-la."
Gostei de como o autor trabalhou as questões que separam os dois personagens. Mesmo dando pinceladas nos temas, abriu espaço para uma reflexão sobre como uma infância conturbada pode influenciar na construção do caráter de uma criança para a vida adulta. Sawyer é o exemplo disso, por suas escolhas obscuras que afetaram sua vida e a de muitas pessoas ao seu redor.

O livro possui uma escrita fluida, é narrado pelo ponto de vista de Jake e através do diário de Sawyer. Fiquei satisfeita com a representatividade muito presente na obra e os temas abordados, no entanto, sinto que faltou mais desenvolvimento. Não foi uma leitura desagradável, porém, algumas questões ficaram abertas e tinha mais potencial para serem aprofundadas.

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Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




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