Resenha: Sozinha

Título: Sozinha
Autora: Keka Reis
Páginas: 208
Editora: Gutenberg
Classificação: Não recomendado para menores de 13 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Rosa tem 15 anos e está naquela fase intensa da adolescência, cheia de impulsos rebeldes, certezas absolutas e desejos inconfessáveis. Ou nem tão inconfessáveis assim, já que em uma das muitas brigas que tem com Julieta, sua mãe excessivamente presente, um pensamento reprimido escapa: “Acho que a minha vida seria muito mais fácil se você morresse de uma vez”.

Até aí, normal. Provavelmente nove entre dez meninas que estão nesse momento de construir a própria identidade e de se libertar das expectativas familiares já desejaram a morte da mãe pelo menos uma vez na vida. A história explica e a psicanálise também. Então, com o tempo, as brigas diminuem e a relação se transforma.

Mas, para Rosa, o impensável acontece: logo após o último conflito com a mãe, logo após Rosa desejar sua morte, Julieta sofre um aneurisma fatal. Agora, a jovem terá que atravessar uma das fases mais complexas da vida sem a mãe, sua maior referência.

Sozinha é uma jornada emocional de transformação e amadurecimento que toca em importantes questões da juventude contemporânea, trazendo à tona a delicada – e às vezes simbiótica – relação entre as meninas adolescentes e suas mães.
Rosa é uma garota de 15 anos passando por uma fase comum de rebeldia que frequentemente os adolescentes vivenciam. Em muitas das discussões com a mãe, já desejou que a vida seria mais fácil se Julieta deixasse de existir.

Desejo no impulso do momento, claro. Quem nunca? Mas, após o último atrito entre elas, Julieta sofre um aneurisma fatal. Sozinha, Rosa terá que enfrentar uma vida com a ausência da mãe.


Iniciei o livro sem ter ideia do que esperar, já que não costumo ler sinopse. Foi uma grata surpresa. Com uma escrita muito fluida, capítulos curtos, desde as primeiras páginas já me senti completamente envolvida na trama.

Rosa é o reflexo de muitos adolescentes. Eu já fui como ela em algum momento da vida nos meus 15 anos. Revoltada, rude e dona da verdade. Não entendia minha mãe. Rosa também não entende que tudo que Julieta faz é para seu próprio bem.

O processo de luto é difícil, pra uma adolescente atravessando uma das fases de construção da sua identidade no mundo deve ser ainda mais. A ausência da mãe atinge Rosa em cheio, culpa e arrependimento são sentimentos fortes que dominam seus dias. Somente após a perda prematura de Julieta é que a menina percebe o real significado de tudo que a mãe era para ela. E dói. É tudo confuso. Fica um pouco pior quando ela e o pai se mudam para a casa da avó.
“Antes de morrer, eu acho que a Julieta já tinha me ensinado quase tudo. Quase tudo. Ela só esqueceu de me ensinar a viver sem ela. Isso eu tive que aprender sozinha.”
Um dos assuntos que mais gosto de ler são sobre o luto. Hoje consigo ter um discernimento melhor em relação as fases que cada pessoa passa. Em muitos momentos da narrativa acompanhamos uma Rosa com raiva do mundo, em negação, no entanto, eu entendo e não julgo. Fiquei comovida e triste por ela ter que atravessar essa situação.

Além do luto, temas como relações familiares, amor, amizade, síndrome do pânico, culpa e cuidados com a saúde mental são trabalhados pela autora de forma responsável e sensível no livro. Eu gostei muito de ver a Rosa amadurecendo, aprendendo a lidar com a dor, entendendo que derramar lágrimas não é sinal de fraqueza, é necessário para aliviar o aperto no peito.

Eu espero que todas as Rosas saibam que elas não estão sozinhas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




Procura algo?

Tecnologia do Blogger.

Mais lidos


Arquivos

Parcerias