Resenha: Torto Arado

Titulo: Torto Arado
Autor: Itamar Vieira Junior
Páginas: 264
Editora: Todavia
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.
Pesquise os gatilhos antes de ler!
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas — a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção. 
Torto Arado tem como cenário o Sertão da Bahia, no início dos anos de 1960, mais especificamente na Fazenda Água Negra. Nela vivem trabalhadores descendentes de uma escravidão abolida muito no papel e pouco no cotidiano.

As personagens principais da história são duas irmãs, Bibiana e Belonísia, de personalidades e sonhos distintos, mas que se unem após uma trágico acidente na infância que marca completamente suas vidas ― a ponto de uma precisar ser a voz da outra.

A trama se desenvolve com base na vida das protagonistas e de seus familiares, acompanhando a trajetória de cada um, através de lembranças resgatadas pelas narradoras da história.
"Nossas feridas foram suturadas, e permanecemos juntas"

O livro é dividido em três partes: Fio de Corte, Torto Arado e Rio de Sangue. A primeira parte narrada por Bibiana, a segunda por Belonísia e a terceira, essa eu deixo que o próprio leitor descubra.

Essa é uma obra repleta de sensibilidade, cheia de camadas e personagens bem construídas e complexas, que representam os descendentes do povo Quilombola, na luta pela liberdade de seu povo e pelo direito de moradia. Trazendo temas pertinentes sobre questões trabalhistas, relacionamentos tóxicos, as dificuldades causadas pela seca e a fome.
"O sofrimento era o sangue oculto a correr nas veias de Água Negra."

A ancestralidade africana é evidenciada pelo candomblé, trazido à obra por meio das personagens Zeca Chapéu Grande e Donana. O conhecimento ancestral está presente em diversas situações do dia a dia e nas “festas de jarê”.

A obra nasceu clássica e necessária. Retrata o Brasil escravocrata, machista e desigual. O autor soube descrever com maestria, através de uma escrita fluida e imersiva um cenário real do nosso país.
"Meu pai, quando encontrava um problema na roça, se deitava sobre a terra com o ouvido voltado para seu interior, para decidir o que usar, o que fazer, onde avançar, onde recuar. Como um médico à procura do coração."

"Vi tanta crueldade ao longo do tempo, e mesmo calejada me comovo ao ver os homens derramando sangue para destruir sonhos." 

O livro “Torto Arado”, do escritor e geógrafo baiano Itamar Vieira Junior, pode ser adaptado para uma série em plataforma de streaming.

A HBO Max anunciou que autorizou o desenvolvimento de um roteiro para a série baseada na obra vencedora do Prêmio Jabuti, em 2020.

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Ana Paula

Aninha, 36 anos, Goiânia - GO. Designer de formação e coração. Ama estar em casa no aconchego dos seus livros, séries e filmes.




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